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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A arte de colorir

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Você cresceu cercado de lápis de cor mas nunca conseguiu fazer uma bola redonda ou pintar sem borrar? Então, babe também com o trabalho da artista Karla Mialynne que transformou o simples fato de colorir em obra de arte.

Com desenhos realistas ela consegue impressionar e hoje em dia transformou o dom em fonte de renda. Confira um pouco desse belo trabalho:














Fotos: Karla Mialynne

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A criatividade artística da publicidade

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Por Carina Santos


Anunciar para vender já não é mais um lema funcional entre as grandes agências publicitárias. 
É preciso anunciar para envolver

Claro que o intuito inicial de vendas segue como um dos principais objetivos, mas não é mais o único.



Ao longo das décadas os anúncios publicitários evoluíram de forma surpreendente, tanto que, muito deles, podem ser comparados a verdadeiras obras de arte. 

Que tal conferir algumas ações publicitárias para se inspirar?





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Desnecessário dizer que optar pelo lado cômico da propaganda é sempre uma estratégia bem 
sucedida, concordam?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eco décor

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A palavra hoje é sustentabilidade, seja no que for, o importante preservar o planeta para as futuras gerações. De pouquinho em pouquinho podemos chegar lá, inclusive na decoração. Muitos arquitetos já trabalham com materiais naturais e incluem pequenos detalhes que ajudam o meio ambiente. 

Eventos como o Greenbuilding Brasil buscam incentivar os profissionais da construção civil a trabalhar de forma sustentável, priorizando sempre soluções, tecnologias e as políticas publicas de sustentabilidade, alertando que trabalhar de forma ecologicamente correta pode gerar lucros, não só financeiros, mas também para o planeta.



Ideias de designers conceituados como Wallace Barros, que criou puffs e acessórios de moda com câmaras de pneus podem ser audaciosas, mas é possível incluir na decoração detalhes interessantes e sustentáveis de forma mais simples.






Inspire-se:


Fronhas antigas podem ganhar um visual novo com apenas tinta e pincel. Você pode escrever iniciais, fazer desenhos e o que mais sua imaginação deixar.


Sabe aqueles galhos que muitas vezes tropeçamos nas pracinhas? Sequestre-os! Podem virar belos cabideiros, estantes, nichos... Basta um pouco de tinta e pregos para fixar na parede.


Agora é a vez dos potes. Sabe aqueles que vem com conserva e que as mães querem logo dar um sumiço? Com cola branca e um pedaço de tecido eles viram potes decorativos encantadores.

Agora é só escolher por onde começar, o meio ambiente agradece ;)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Histórias de 7 bilhões de vidas, segundo os Outros

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Ao embarcar numa viagem, o helicóptero de Yann Arthus-Bertrand quebrou em Mali, e o fotógrafo se viu obrigado a pousar num pequeno vilarejo, onde passou quase 48 horas, com um homem, suas três esposas e seus filhos, que o receberam muito bem. “De maneira simples e honesta”, sem lhe pedir nada, como relata Yann, o homem contou que sua única ambição era poder alimentar sua família.

Yann: "A quantidade de informação em circulação nunca
foi tão grande. Tudo isso é muito positivo. A ironia é que, ao
mesmo tempo, nós ainda sabemos muito pouco sobre os
nossos vizinhos. É preciso fazer um movimento em direção
à outra pessoa, entender o Outro"
A conversa que tiveram nesse curto período emocionou tanto o artista que despertou nele o interesse de saber mais sobre a vida daquelas pessoas que fotografava. Foi daí que surgiu o projeto 7 bilhões de Outros. “Somos mais de sete bilhões na Terra, e não haverá um desenvolvimento sustentável se não pudermos viver juntos”, diz Yann. “Espero que cada um de nós estenda a mão e faça estes encontros para escutar outras pessoas e contribuir para a vida delas, adicionando as suas próprias experiências e expressando o desejo de viver juntos.”

Yann formou uma equipe de seis diretores para ir até os Outros. Foram 6 mil entrevistas com pessoas de 84 países diferentes. Todos responderam às mesmas perguntas sobre seus medos, sonhos, problemas, esperanças, que nos ajudam a entender o que nos une e separa. O resultado você confere abaixo.


Felicidade



Perdoar



Histórias de amor



Sonhos e renúncias



Veja outros depoimentos no site oficial do projeto

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Crônica: Bússola

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Posso estar bastante enganado ao dizer isso, mas, geralmente, quando nos decepcionamos com uma pessoa, ou com uma circunstância específica, saímos à procura discreta de um breve consolo capaz de manter acesas em nós a chama da confiança e aquela consciência particular sem a qual não é possível enxergar a beleza das coisas. Decepcionar-se não é senão acreditar que algo poderia ser de determinado jeito e, no final das contas, constatar que o que recebemos como resposta não correspondeu àquilo em que acreditávamos com tanta convicção.

Por isso pode-se dizer que, em um episódio decepcionante, não há culpados nem vítimas: há esperança em excesso, apenas. Uma esperança tão grande que, por vezes, pode engolir a realidade dos fatos. O desejo de que algumas pessoas continuem a nos fazer bem, pelo resto de nossas vidas, pode ser conveniente para nós na medida em que é exatamente essa confiança e essa certeza que sustentam o edifício dos nossos relacionamentos. Não acreditar que os outros nos farão bem é minar as bases desse edifício, por si só tão frágil. Se os decepcionados são as vítimas por cultivarem uma confiança enorme e se os decepcionantes são os culpados por terem traído a confiança alheia, isto é somente uma questão de perspectiva.



Na minha primeira experiência de atendimento a um paciente, constatei que nossa efêmera existência é pontilhada de pequenas decepções que, aos poucos, à força, nos ajudam a enxergar o mundo de uma maneira diferente – e, acima de tudo, nos ajudam a perceber que não temos controle sobre nada relacionado à nossa interação com as outras pessoas. A única coisa que temos sobre os outros é uma ligeira sensação de influência, que pode variar – e varia, sempre – ao longo do tempo. É essa influência exercida por nós sobre os outros que confere aos nossos relacionamentos uma tênue sugestão de controle.

Na ficha de entrada do serviço de psicologia não havia muitos detalhes: apenas um nome, Fernanda, a informação de que ela era recém-divorciada e que tinha um filho pequeno de três anos de idade, diagnosticado precocemente como hiperativo por um psiquiatra. Achei que o caso poderia ser interessante e, de alguma maneira, achei que ele poderia ajudar a formar o início de minha experiência profissional.

Quando Fernanda se sentou à minha frente, a um convite meu, ela respirou pesadamente e disse, sem rodeios: "Não sei muito bem por que estou aqui. Sempre achei que eu poderia resolver os meus conflitos pessoais de maneira particular, sozinha, sem precisar da ajuda de ninguém. Sou uma pessoa forte e sempre dei conta das minhas dificuldades. Existem muitas pessoas aqui que provavelmente precisam mais da sua ajuda do que eu." E, então, começou a chorar.

Lá fora fazia um dia claro. Lembro de ter passado pelos jardins da universidade e de ter dito a mim mesmo algo sobre como as tulipas e as orquídeas estavam vistosas e sadias em seu desabrochar atravessado pelo orvalho da manhã. Agora, ali naquela sala, naquele momento, o filho de três anos de Fernanda brincava com uma coleção de carrinhos de metal que eu havia trazido para a sala do consultório, junto com um balde cheio de dinossauros coloridos. Tudo parecia natural e, até certo ponto, tranquilo. Mas aquela mulher bonita de 36 anos de idade estava chorando na minha frente porque, naquela manhã de sol, decidiu admitir que havia se decepcionado com alguém (por acaso, com seu ex-esposo), e que decepcionar-se era um fenômeno que ela nunca, ou quase nunca, tinha experimentado.

Quando cheguei em casa, no fim do dia, me pus a procurar alguns documentos acadêmicos nas gavetas bagunçadas da minha escrivaninha. De forma absolutamente inesperada (ou assim me pareceu), encontrei uma bússola em formato de chaveiro, com o metal da presilha um pouco desgastado pelo tempo. A bússola estava no fundo da última gaveta, ao lado de um controle remoto de televisão velho. Com a bússola, dentro de uma caixinha de plástico transparente, havia um bilhete escrito à mão, em caligrafia feminina: Seu chá de bússola diário. Não esqueça. A direção da Beleza, da Justiça e da Sinceridade é apenas uma, e ela, essa direção, está debaixo do nosso nariz. Inútil procurar em outro lugar. Beijo, Gabi.

Sou capaz de passar dezenas de minutos olhando para uma bússola sem me cansar. Naquele momento, esqueci completamente o que eu estava buscando, que documentos estava garimpando, e fiquei a revirar aquele pequeno e simbólico objeto nas mãos até perceber que o que eu estava procurando nas gavetas, desde o começo, não eram os documentos, mas a bússola. E me dei conta de que eu não falava com Gabriela há mais de três anos porque tínhamos, contrariando todas as nossas expectativas, nos decepcionado um com o outro.

* * *

Na nossa última sessão de avaliação psicológica (cujo paciente era, na verdade, o filho hiperativo de três anos), Fernanda me confidenciou que se sentia melhor. Nas últimas semanas, havia pensado sobre sua circunstância, sobre suas amarguras, e disse que o principal consolo que recebera viera da constatação de que as decepções, todas, se devem ao nosso esforço desmedido de construir uma imagem fantasiosa dos outros de acordo com os nossos interesses. De um modo geral, sua aparência estava bem melhor: havia um sorriso tímido no rosto, seus cabelos, volumosos e ondulados, estavam soltos, suas mãos não se remexiam nervosamente e pude perceber, com um certo alívio, uma atenção maternal sincera e afetuosa para com o pequeno garoto.

A excessiva atividade que o filho de Fernanda apresentava, diariamente, tanto no colégio quanto em casa e na rua, poderia ser vista como uma espécie de reação funcional à insegurança da mãe e à ausência do pai, que o havia ignorado desde o divórcio com a esposa. Era uma hipótese que valia a pena ser levada em consideração, mas os nossos encontros semanais acabaram quando o semestre letivo chegou ao fim. De qualquer modo, até hoje, tenho a sensação nítida de que aprendi mais com Fernanda e seu filho do que ambos aprenderam comigo.

Se o estofo de nossas decepções continua a ser um mistério, pelo menos temos a sutil garantia de que elas não duram para sempre. Ou porque percebemos que nosso controle sobre tudo à nossa volta é muito mais limitado do que gostaríamos de admitir, ou porque, à força, somos instados a perceber o nosso universo particular de outra forma, o fato é que, um dia, alguma coisa se parte dentro de nós.

No final do ano, tirei a bússola de dentro da caixinha de plástico e a coloquei em cima da minha mesa, para me lembrar, ainda que remotamente, que a bússola aponta o caminho, mas quem caminha somos nós.

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Esta crônica foi publicada também no blog Gato Branco em Fuligem de Carvão, parceiro do Lupa Cultural.

domingo, 18 de agosto de 2013

Perfil: A criatividade artística de Nelson Cardoso

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O cavaquinho - esculpido em pedra
Foto: Gabriela Castilho / Lupa Cultural
Entre papel cartão e pedra, tudo vira arte nas mãos de Nelson Cardoso. Brasileiro, porém português de coração, o artista plástico e escultor nasceu e cresceu em Ribeirão Preto (SP), e, aos 21 anos, partiu numa viagem para Portugal. O que era para ser apenas um passeio de três meses resultou em uma formação de três anos em escultura pelo AR.CO, Centro de Arte e Comunicação Visual de Lisboa. A partir daí, participou de exposições individuais e coletivas que estão espalhadas em galerias de Portugal, Alemanha e França. Em 1988, representou Portugal no simpósio “Iwate-Machi Stone Sculpture Symposium”, no Japão. O mais curioso é que a sua terra natal pouco conhece de seu trabalho. Alguns dos poucos apreciadores brasileiros que tem são os que vivem na Europa.

 Há três anos, tive a oportunidade de visitar Cardoso em sua casa, em Sintra (Portugal), para um almoço. A impressão que tive foi de uma pessoa simples. Exótico em todo o seu conhecimento de arte, mas humilde e absolutamente gentil. Com seu cabelo cacheado pouco arrumado, ele anda com camisa e calça surradas e chinelos pela sala. O que em primeiro contato pode parecer desleixo, após alguns minutos de conversa se transforma em tranquilidade e despreocupação.

Cada cômodo da casa, que Nelson divide com seus cachorros, é alegre, cheio de cores vindas das próprias obras e receptivo, assim como o artista. A sala e os quartos acomodam bonecos, quadros e máscaras de antigas exposições, enquanto a varanda é rica em esculturas em pedras. Restos de materiais e obras começadas se acumulam onde houver espaço na casa interminável, cheia de portas para explorar e uma varanda extensa, onde acomoda mais de suas esculturas.
Sala de Nelson Cardoso com vários de seus trabalhos
Foto: Gabriela Castilho / Lupa Cultural

Nelson passa noites em claro trabalhando em suas obras e vai para a cama pouco antes do sol nascer. Trabalha quando quer, quando surge inspiração. Então, depois do meio-dia ele se levanta e espera o almoço ficar pronto tomando vinho tinto e fumando cigarro de palha, enquanto Cássia Eller canta seus antigos sucessos no rádio.

Em pedras, Nelson esculpe desde anjos e bailarinas seminus a cavaquinho e vasos de flor. Com cartão e papelão reciclados, ele monta cenas metropolitanas que exprimem sua visão das terras brasileiras. “Se você andar em são Paulo, vai encontrar muita figura deitada na rua e policial fazendo ronda. Por isso gosto de ir para o Brasil, eu tenho mais ideias”, relembra o artista com certa nostalgia. Já os quadros, que exibem um pouco mais de humor e nudismo, são montados com material reciclável e, às vezes, madeira, também usada na elaboração de máscaras.

Como disse no início, tudo em sua mão vira arte. Quando o questiono sobre tanta criatividade, Nelson toma um gole de seu vinho tinto e, sem pressa, explica que “a vida muda e as minhas inspirações mudam também”. Para ele, cada material tem um sentimento diferente e, então, o trata e trabalha de acordo.


Nexus, Sexus e Plexus, da trilogia de Henry Miller
Foto: Gabriela Castilho / Lupa Cultural
Os trabalhos mistos de madeira e cartões reciclados são sobreposições que, assim como as pedras, exigem criatividade: “O reciclado me dá mais liberdade: é tudo peça que eu encontro e vou montando como num quebra-cabeça.” Entre um gole da bebida e uma lenta tragada no cigarro de palha, Nelson compara a criação dos trabalhos com desenho feito à lápis em papel: “A gente vai apagando com a borracha até formar algo de que a gente realmente goste.” 

Conheça mais das obras do brasileiro- lusitano em sua página: Nelson Cardoso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Brad Pitt e Angelina Jolie: A história de como o amor pode renascer

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Por Carina Santos

Encontrar a tão sonhada “alma gêmea” pode não ser uma tarefa fácil. Mas, depois de encontrar, muitos acreditam que é ainda mais difícil manter a relação ao longo do tempo. Brad Pitt também sabe disso.

Casado com ninguém menos que Angelina Jolie, Brad chegou muitas vezes a pensar em divórcio. E por quê? A relação se desgastou, o brilho inicial estava se apagando. Meu comentário aqui é que, antes de qualquer rótulo e fama, eles são pessoas. E mais, pessoas que amam.

Relação e pessoas perfeitas não existem de fato. O que ocorre, é que quando se tem uma questão maior e de importância igualmente superior para lutar, agimos verdadeiramente. Brad e Angelina também sabem disso agora.

Houve tempos difíceis entre o casal, até que o ator percebeu que a mudança poderia e, mais, deveria partir dele. Elogios, flores e demonstrações puras de afeto fizeram parte desse novo papel que Brad não interpretou, mas viveu: o de marido apaixonado pela mulher ao seu lado.

Uma sessão de fotos extremamente delicada foi feita. O fotógrafo: Brad. A modelo: Angelina. O ensaio fotográfico revela Angelina nos momentos mais simples de sua intimidade e talvez tenha sido esse o motivo de tamanho sucesso. O resultado disso tudo? O renascimento do amor entre os dois.


Há uma frase dita por Brad que me chamou muito a atenção e cabe perfeitamente aqui: “Eu nem sabia que ela podia amar tão intensamente”.

Bem, agora ele sabe muito bem disso.

Saiba a história completa aqui.
Clique para conferir mais fotos dessa sessão.

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Esse post foi escrito com a colaboração do blog A Guria de Moletom, parceiro do Lupa Cultural.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Websérie mostra vida de quem largou o emprego fixo para viver o sonho

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“Essa é a sua vida. Faça o que ama e com frequência. Se não gosta de algo, então mude. Se não está feliz no seu trabalho, deixe-o”. A citação do Holstee Manifesto poderia ser uma espécie de mantra para quem deseja mudanças, mas vive a rotina das poucas horas dormidas, do estresse causado pelos engarrafamentos e metrô lotado, das 8 ou mais horas de um trabalho sem prazer, mas obrigação para no fim do mês garantir e desfrutar do salário.

É verdade que fazer o que se gosta envolve uma série de outros agentes. Seja pela família, seja pelo momento financeiro, não é fácil mandar aquele chefe insuportável às favas e partir para outra atividade que não seja um fardo. Por outro lado, existem pessoas que mergulham de cabeça nos seus sonhos e lutam para fazer do trabalho também um passatempo.

A proposta da websérie Continue Curioso é mostrar um pouco da vida dessa gente que disse “chega” para caminhar contra a corrente. A fotógrafa Marília Pedroso é uma delas.

“Eu saía de casa às 7h e chegava às 21h. Era o tempo de comer alguma coisa e dormir”, diz Marília em seu depoimento no vídeo. A certeza de abandonar estabilidade, do dinheiro todo mês na conta deixou a fotógrafa com medo, o que não a impediu de tentar algo novo. Para ela, trabalhar por conta própria causa uma sensação de liberdade. Hoje, Marília é conhecida pelo blog polarizing e faz o que mais gosta: “capturar sorrisos”.




A websérie também conta com outros depoimentos como da Cíntia Dumiense, atualmente chefe de cozinha da amüse food store. Cíntia trocou os jobs da agência de publicidade pelas especiarias e sabores para comandar uma cozinha. A chefe tomou sua decisão ao pensar no que ela mais gostava de fazer quando criança. A resposta veio imediata: brincar de comida!
 
Cíntia dá a dica: "Pra quer quer mudar é essencial ter uma pessoa que te apoie. Quando você está sozinho tomar essa decisão é muito pior". O projeto ainda tem documentários do casal sem vergonha (Jaque Barbosa e Eme Viegas), do artista plástico Thiago Frias, da estilistas Juss e outros sonhadores.

domingo, 3 de março de 2013

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

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Uma das principais e mais elogiadas obras contemporâneas sobre a condição humana (reduzida à busca pela sobrevivência) chegou até mim quando eu ainda estava cursando o 2º ano do Ensino Médio. Ensaio sobre a cegueira (1995), romance de ficção escrito pelo português nobelizado José Saramago, era leitura paradidática obrigatória naquela época, quase às portas do vestibular – e por aí já podemos ter uma vaga ideia sobre como aquela literatura visceral, nua e crua, foi recebida por alunos mais preocupados em decorar fórmulas de Física do que em refletir sobre as questões existenciais da nossa sociedade.

 

Como eu me irritava facilmente com toda aquela educação pragmática do pré-vestibular, que prepara os estudantes não para a vida, mas para a competição desmedida e a memorização de conteúdos insignificantes, mergulhei de cabeça naquele livro do qual eu nem mesmo sabia o que esperar. Apenas me agradava qualquer coisa distante da ideia de ter um professor à minha frente tentando fazer com que briófitas e pteridófitas soassem como um assunto muitíssimo interessante, por meio de piadas bestas e falsa empolgação. No final das contas, ao entrar no universo de Saramago, o que eu encontrei naquelas páginas foi muito mais do que um cano de escape: foi a constatação precoce de que o mundo é um lugar potencialmente horrível; no tempo de um simples piscar de olhos, ele pode ir da rotina alegre ao desespero absoluto. E descobri que há alguma beleza sutil nisso.


Sinopse: Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.


Quem conhece alguma coisa sobre José Saramago, ou mesmo quem já leu algum de seus livros, sabe que o estilo do autor é um espetáculo fascinante à parte, algo que desafia a paciência e a concentração de qualquer leitor, mesmo os mais experientes. Lançando mão apenas de vírgulas e pontos finais, o texto deste português, visto de longe, é um denso e complexo emaranhado de palavras que vão se conectando meio que forçosamente, tecendo às vezes parágrafos de várias páginas, numa das mais originais construções textuais de toda a história da Literatura. (Coincidentemente ou não, outro escritor que revoluciona o modo de escrever livros é português e "rival" de Saramago, António Lobo Antunes.)

 

Passada a inquietude fundamental com o texto excêntrico de Saramago – algo que, se ocorrer, será apenas para além da metade do livro – o leitor começa a perceber uma história que é absurda e assustadora justamente pelo fato de ser tão banal: num belo dia de sol, aparentemente do nada, todas as pessoas de uma cidade normal começam a ficar cegas, uma após a outra, em rápida sucessão. A princípio, apesar do susto e da incerteza que assola as vítimas, as pessoas agem com civilidade e educação; mas, em questão de horas, o verniz dos bons-modos começa a descascar e a humanidade começa a mostrar sua face mais autêntica e mais próxima da barbárie. Isolados em uma instalação do governo que passa a funcionar como depositório de cegos, todos os que são acometidos pela "doença" ficam em quarentena, vigiados pelas autoridades sob condições estritamente rígidas. Ao cabo de algumas semanas, a situação neste lugar se torna tão insuportável – com agravantes de superlotação, falta de comida e abundância de violência – que em tudo lembra os presídios mais hediondos do Brasil.


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Cartaz norte-americano e brasileiro do filme dirigido por Fernando Meirelles, baseado no livro


Desnecessário dizer que Ensaio sobre a cegueira é um romance metafórico. Quando eu tinha 16 anos e li o livro pela primeira vez, custei a perceber isto, por alguma razão – talvez pelo fato de que eu nunca houvesse lido um romance essencialmente alegórico. No início, acreditava que os personagens da história estavam ficando cegos por algum problema oftalmológico, mesmo, e que o ponto alto da trama seria quando descobrissem o que causara a epidemia. O fato é que compreendi a metáfora da obra quando comecei a olhar ao meu redor e a me dar conta de que, de uma maneira ou de outra, todos nós somos cegos – cegos que, vendo, não veem. Somos cegos que aparentemente enxergamos os outros mas que, quando a situação aperta nosso pescoço, tendemos a olhar apenas para nosso próprio umbigo e nossos pequenos propósitos. Cegos que não enxergam a verdadeira natureza da vida em comunidade e que são reféns dos medos e das exigências dos outros. Uma cegueira branca, como a do livro, diferente da cegueira negra, fisiológica.

 

A grande mensagem que retirei da obra-prima de Saramago foi justamente esta: a de que podemos perder o controle sobre nós mesmos a qualquer hora, podemos perder nossa autonomia, podemos deixar de exercitar nosso senso crítico e nos tornar mais uma ovelha no rebanho em questão de segundos, sem que possamos nos dar conta disso. E que, quando isso acontecer, entraremos todos numa espécie de espiral descendente que nos levará à perdição, e sofreremos ao percebermos nossa própria imbecilidade. Não é um quadro que anima ninguém, mas a Literatura está cheia de exemplos de obras que causam um profundo mal-estar nas pessoas precisamente pelo fato de trazerem perspectivas reais e cruéis.

 

Ensaio sobre a cegueira não é um livro que fará você se sentir melhor, mas certamente trará alguma dose de maturidade, seja ela qual for.

 


 

Esta postagem foi escrita originalmente para o blog Gato Branco em Fuligem de Carvão, parceiro do Lupa Cultural

Visite-nos também: www.artigosefemeros.blogspot.com.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A viagem daqueles sonhos

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Aquele frio na barriga ao te ver chegar na rodoviária, me senti uma menina de novo, apesar de seu imenso atraso devido ao trânsito e das inúmeras mensagens trocadas. Sim, o mesmo frio na barriga do nosso primeiro beijo, eu nunca tinha beijado ninguém até aquele trem fantasma. Você chega e quase me beija, diz que se sentiu indo encontrar a namorada como fazia anos atrás. Ao colocar o pé no ônibus já sabia que estava indo para uma viagem totalmente louca, mas que eu sempre quis! Alias, você ainda pode me achar uma namorada, já que não teve mais nenhuma depois de mim mesmo depois de seis anos.

A lua já nasceu e por acaso está linda, você vem chegando mais perto, mas te evito. Horas e horas no engarrafamento, mais de seis horas, você tentava me beijar em cada instante, o pior é que tinha um clima danado pra isso. Quase nos perdemos, porém chegamos. Você toca violão para mim, coisa que nunca fez enquanto estávamos juntos, mesmo pedindo muito. Começa logo com a letra "Devia ter arriscado mais e até errado mais", sim eu sei que a culpa de termos terminado foi minha! Ok, não precisa cantar me olhando com essa cara.

O problema começa na hora de dormir, acabamos dormindo juntos, no mesmo quarto e na cama de casal. Risos do nada "você tá dormindo?" "não" "nem eu", um abraço, um aconchego, um beijo. Acordamos, agora você escreve nosso nome no quiosque da praia, marcou pra sempre ali nossas iniciais! Uma tarde recheada de novidades e a noite meu primeiro porre. Você trouxe vinho, pura maldade sabe que eu gosto e que não sei beber.

Duas taças e já estou trocando as pernas, mas sou a única bêbada certinha do mundo! Você pergunta o que eu tenho, fico muda, você me entope de mel e diz "tomara que você não passe mal, nem bebeu tanto". Vamos para o quarto, eu digo apenas "você não devia estar aqui comigo, devia estar com a sua namorada". Nem bêbada esqueço que tens alguém hoje em dia, não é namorada, mas é a mesma alguém há quase um ano. Eu durmo, você volta e me pergunta "você ainda gosta ao mesmo um pouquinho de mim?", eu estava bêbada mas lembro, uma resposta malcriada "O que você acha?" viro e durmo.

O dia amanhece, tenho café na cama e alguém espirrando horrores. Ainda me sinto meio tonta e você ri de mim "você ouviu cachorros latindo do nada", muitos risos e fingimos esquecer o que falei, assim como de tarde fingi que não vi sem querer a sms que você enviou. Sem querer, sabe como sou curiosa, eu vi seu celular acender de manhã, fui só conferir enquanto tomava banho se tinha visto. Constatei o que eu não queria, ela te ligou inúmeras vezes e mandou mensagens, você respondeu com um "Cheguei bem, aqui é lindo, queria você aqui comigo". Acabou comigo! Chorei quando entrei no banho, coloquei meu orgulho para dentro, se eu falasse o que vi acabaria com tudo, estava umas cinco horas de casa não valia a pena, eu sabia dela quando aceitei vir.

Você ficou com febre, mas mesmo assim foi comigo as dunas, eu sempre quis ir lá e você foi só para me agradar. Para melhorar pegamos uma chuva terrível! Dois pintos molhados em um ônibus de ar condicionado, resultado: mais febre. Te dei remédio e dormiu a tarde toda no sofá, me chamou para deitar com você, nos aninhamos e ficamos ali. Acordamos 22h não dava mais para voltar, o final de semana se estendeu por mais uma noite, dormimos no sofá mesmo. Me acordou de madrugada com beijos, já estava melhor,e depois mais um café na cama.

A difícil missão de conseguir voltar sem ter comprado as passagens. Mas, enfim, um ida para outra cidade e voltamos para capital. No ônibus eu via a estrada passando, você dormindo ao meu lado e sabia que isso ficaria para sempre na memória: violão, a lua na estrada, meu primeiro porre, a lua na praia, o mel, café da manhã na cama, meus dotes de enfermeira, corridas na chuva...

Ao pisarmos na rodoviária você dizia que de tarde iria buscar seu antialérgico, que por acaso é ao lado do seu trabalho... Onde eu sei que ela também trabalha. Eu estava agora rumo ao meu trabalho, de volta a realidade. Não me contenho, falo que vi a mensagem e você apenas responde "Se eu te disser o motivo de ter enviado isso vou ter que falar tudo que inventei para ir com você. Saiba que nunca deixei de te amar e nem nunca vou deixar".





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Disco: 'Privateering', de Mark Knopfler

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Depois de mais ou menos três anos de espera, desde o lançamento de Get Lucky (2009), finalmente os brasileiros podem colocar as mãos no mais recente álbum solo do músico britânico Mark Knopfler: Privateering (2012), um disco duplo que totaliza 20 canções embaladas pelo gênero folk blues, tão apreciado por Knopfler. Fã incondicional do ex-líder da extinta banda Dire Straits, eu sempre acompanhei com entusiasmo as produções individuais de Mark – e posso dizer, com segurança, que nunca tive uma decepção real com aquilo que ele já compôs em todos esses longos anos.

Mistura equilibrada de country e folk blues, com uma leve e persistente presença do rock clássico, utilizando-se de instrumentos como sanfona, banjo e violino, Privateering é – assim como o disco anterior, Get Lucky – uma prova consistente e indiscutível da maturidade artística de Knopfler. Maturidade esta que, na verdade, ele sempre pareceu possuir, desde o distante trabalho em Golden Heart (1996), seu primeiro disco solo, em que já estavam presentes o bom ritmo, as letras com qualidade, a "ousadia comportada" característica do músico e a voz com timbre grave e sorumbático.

Mark já lançou sete discos solo até o momento. Com Privateering, ele dá algumas mostras de como anda sua tendência atual: uma simpatia pelo som norte-americano aliada à paixão pelas origens celtas. Essa união singular produz músicas belíssimas, como a balada "Kingdom of Gold" e a nostálgica "Haul Away". A faixa-título, "Privateering", é sem dúvida uma das melhores do álbum, e posso dizer que ela já era a minha preferida mesmo nas versões ao vivo que Mark Knopfler reproduziu nas suas últimas turnês.

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Get Lucky (2009) e Golden Heart (1996): álbuns com a maturidade sempre notável de Mark Knopfler

Ouvintes de Dire Straits podem estranhar o som de um álbum como Get Lucky, por exemplo, ou de Privateering, dada a enorme diferença entre o ritmo pop da antiga banda inglesa e a profundidade mais arqueológica do trabalho solo de seu ex-líder. Ao lado de grandes hits como "Sultans of Swing" e "Money for Nothing", faixas tais como "Redbud Tree" ou "Dream of the Drowned Submariner" podem soar monótonas, enfadonhas ou incompreensíveis. No entanto, bem feitas as contas, já na condição de guitarrista dos Straits, Mark Knopfler plantou sementes que mais tarde, em sua carreira solo, floresceriam. Essas sementes, vejo agora, eram músicas como as saudosas "Why Worry", "Ride Across the River" e "Lions", dentre outras.

Aos fãs de Knopfler, resta então se deleitar com este novo álbum, original, eclético, profundo e agradável aos ouvidos… e esperar pelo próximo trabalho deste músico que, apesar dos passeios que já fez pelos mais diferentes ritmos e solos, nunca decepcionou aqueles que cativou desde os anos 1980.

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Privateering (2012) – Playlist
CD I
  1. Redbud Tree
  2. Haul Away
  3. Don’t Forget Your Hat
  4. Privateering
  5. Miss You Blues
  6. Corned Beef City
  7. Go, Love
  8. Hot or What
  9. Yon Two Crows
  10. Seattle
CD II
  1. Kingdom of Gold
  2. Got to Have Something
  3. Radio City Serenade
  4. I Used to Could
  5. Gator Blood
  6. Bluebird
  7. Dream of the Drowned Submariner
  8. Blood and Water
  9. Today is Okay
  10. After the Beanstalk

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Por trás e nas passarelas

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O Fashion Rio manteve seu glamour nos desfiles e nos camarins. O Lupa Cultural esteve no evento na última quarta feira, 07 de novembro, e viu tudo que acontece antes dos desfiles, assistiu dois desfiles e ainda descobriu como as pessoas que não possuem convites conseguem assistir aos desfiles, inclusive os mais concorridos como o do Alexandre Herchcovitch.

Desfile da Oh, Boy! - Fashion Rio 2013

Nas passarelas pode ser vista a tendência dos animais na moda, seja com os detalhes em Animal Print da TNG ou com desenhos fofos da Oh, Boy!. Já Alexandre Herchcovitch apostou nas cores bem vivas e nos detalhes brilhantes, uma curiosidade aprovada: a volta das jardineiras.



Camarim da TNG - Fashion Rio 2013

O charme das passarelas continua nos bastidores. Enquanto aguardam pelo desfile da TNG os modelos jogam cartas e conversam, na hora de se vestir contam com ajuda até para fechar os botões da camisa, cada modelo possui uma pessoa disponível para ajudar. Nem tudo são flores, correria na hora em que uma unha borra ou tenção na hora em que os produtores mais grosseiros e ásperos dão as instruções para o desfile.




Do lado de fora muitos aguardam para entrar nos desfiles, mas depois que é liberada a entrada alguns ficam. Por curiosidade, o Lupa foi investigar e descobriu como é fácil assistir aos desfiles sem convite. Pelo menos 10 minutos antes do início todos são liberados, mesmo com a sala lotada. O desfile da Oh, Boy! contou com dezenas de pessoas em pé.


Show ao vivo no lounge da Melissa

Dentro ou fora das salas de desfiles o glamour do evento é mantido. Nos lounges, tanto nos privados quanto nos abertos, a tendência eram as taças de champanhe distribuídas para todos. O da Sandália Ipanema se destacou contando a história do tradicional bairro Carioca, Ipanema, e o da Melissa que deu, literalmente, um show no intervalo dos desfiles com música ao vivo.









quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Marc Chagall: o Pintor com a Tinta Cor de Sonho

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Lovers in Moonlight
Sonho. É essa a primeira palavra que vem à cabeça quando penso em Marc Chagall. Observar uma tela do pintor é quase ser espião de suas utopias. Penso que é por isso que gosto: por não retratar um vaso de flor, paisagem estática ou natureza morta, mas a ilusão. Tenho a mesma sensação com Gustav Klimt, mas, no caso desse, é uma espécie de sonho debaixo d'água. Acredito que meu primeiro contato com o artista foi em "Um Lugar Chamado Nothing Hill" (1998), de Roger Michell. Nem sequer gostei do filme, talvez por isso na época não tinha dado atenção à citação feita a Chagall na película. Em uma das sequências do filme, Anna Scott (Julia Roberts) percebe um quadro do pintor na parede de seu par romântico na produção, William Thacker (Hugh Grant). 

Anna: Eu não acredito que você tem essa gravura na sua parede! 
William: Você gosta de Chagall? 
Anna: Gosto. É assim que o verdadeiro amor deve ser. Flutuando em um céu azul escuro. 
William: Com um bode tocando violino. 
Anna: Sim - a felicidade não seria felicidade sem um bode tocando violino. 

La Mariée
O quadro em questão se tratava de La Mariée, mas dei de ombros para o diálogo. Chagall só passou a ter importância anos depois, quando conheci meu namorado e ele falou sobre o tal bode tocando violino. Talvez seja essa a essência e o que Anna quis dizer com " como o verdadeiro amor deve ser ". Não se pode gostar de Chagall sem estar apaixonado, porque Chagall era um apaixonado, não só no que diz respeito a Bella Chagall, sua esposa, mas no sentido romântico e saudosista da paixão. O bode, outra vez, faz referência à aldeia onde viveu em São Petesburgo, na Rússia. Lugar onde conheceu e se casou com Bella. O amor entre os dois, na minha opinião, é o que torna Chagall único. É o que faz pensar estar dentro de uma obra de Shakespeare como "Sonhos de uma Noite de Verão", uma espécie de poesia escrita em cores de aquarela, que não comporta esse universo, mas um espaço entre o real e o imaginário: a fantasia.
Imagino que quando o autor falou que “Haverá sempre crianças que amarão a pureza, apesar do inferno criado pelos homens”, era essa a mensagem que gostaria de passar. Uma visão quixotesca de que apesar das mazelas do mundo ainda é permitido sonhar de vez em quando. Nascido em uma família judia, Chagall trouxe para as suas obras os momentos cruciais na vida de um devoto dessa religião. Aliás, indo mais além, momentos chave na vida de qualquer pessoa. Pintou o nascimento, o casamento e a morte. Em todas essas etapas o cenário que dava vida ao sonho era Vitebsk, o vilarejo onde viveu o bielorrusso.

Apesar do sonho, da mágica e dos personagens flutuantes, o trabalho mais desafiador de Chagall foi a séria "A Bíblia". De 1931 a  1939 e de 1952 a 1956, o artista trabalhou em uma série de 105 gravuras que retratavam parte do "livro sagrado". O interessante da série é que, por Chagall ficar no limiar do sobrenatural, os anjos e a presença de Deus parece, digamos, mais próxima da realidade. Já que se está falando de sonho, o impossível, a ideia, conceito e a verdade podem coexistir em tranquilidade.
Adam and Eve Expelled from Paradise

Desafiador, sim, mas não o mais sincero na minha opinião. Dou o meu voto de quadro mais belo de Chagall para "Autour d'Elle”, que ele pintou como uma belíssima despedida a Bella, que faleceu em 1944. A noiva de suas pinturas agora flutuava distante. Céu, talvez. Mas gosto de pensar que Chagall eternizou Bella em um lindo devaneio de cor azul.


Autour d'Elle
Mais Pinturas de Chagall:

Solitude


Birthday

 Calvário

The Lovers

Song of Songs IV

 

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